1# SEES 18.12.13

     1#1 VEJA.COM
     1#2 CARTA AO LEITOR  FALSO PROBLEMA, FALSA SOLUO
1#3 ENTREVISTA  DOM ODILO SCHERER   UM MOMENTO CRUCIAL DA IGREJA
     1#4 LYA LUFT  TODOS QUEREMOS PRIVILGIOS
     1#5 GUSTAVO IOSCHPE  TICA NA ESCOLA E NA VIDA
     1#6 LEITOR
     1#7 BLOGOSFERA
     1#8 EINSTEIN SADE  PRTONS: FUTURO DA RADIOTERAPIA?

1#1 VEJA.COM
A BBLIA EM CARTAZ
As dcadas de 50 e 60 foram a era de ouro do cinema inspirado em temas bblicos, com clssicos como Os Dez Mandamentos (1956) e A Maior Histria de Todos os Tempos (1965). O ano de 2014, contudo, ser marcado pelo retorno da Bblia s telas. Quatro grandes produes tm estreia marcada: No, a histria do dilvio; Exodus, sobre Moiss e a fuga dos judeus do Egito; Mary, sobre a me de Jesus: e Son of God, derivado da minissrie de sucesso mundial A Bblia. Reportagem no site de VEJA mostra o que esperar dessas produes, que podem se valer de informao histrica e arqueolgica muito mais abundante  e de recursos tecnolgicos de ponta  para representar os milagres das Escrituras.
 Leia tambm reportagem sobre as pesquisas mais recentes a respeito do Jesus histrico.

O NOVO VELHO ANDERSON
O principal lutador de MMA do mundo tem 38 anos, 33 vitrias na carreira e vrios recordes importantes, mas ainda precisa encarar um grande desafio. Est chegando a hora de Anderson Silva retornar ao octgono para tentar reconquistar o ttulo de campeo do UFC. Saiba como est sendo a preparao do dolo brasileiro nos Estados Unidos e o que Spider dever fazer para derrotar Chris Weidman e recuperar seu cinturo, no dia 28, em Las Vegas.

LER, ESCREVER E... PROGRAMAR
"No compre um videogame, faa um. No baixe um app, desenvolva o seu." Com esse discurso, Barack Obama demonstrou apoio ao ensino de programao a crianas de 6 a 10 anos em escolas americanas. O assunto tambm est no Brasil. Instituies privadas j puseram a matria no currculo, seguindo tese de acadmicos como Mitch Resnick, do MIT, para quem o aprendizado de linguagens de mquina  to importante quanto a alfabetizao. A ideia est longe do consenso. Reportagem de VEJA foi a escolas que ensinam programao a crianas e ouviu partidrios e opositores da prtica. 


1#2 CARTA AO LEITOR  FALSO PROBLEMA, FALSA SOLUO
     Uma reportagem desta edio de VEJA revela com exclusividade como operava o paulista Adir Assad, que criava empresas-fantasma para arrecadar recursos usados como propina para autoridades e caixa dois de campanhas eleitorais. Pela complexidade das operaes e pelo volume de dinheiro envolvido  at agora, mais de 1 bilho de reais , Assad se candidata, sem rivais  altura, ao ttulo de Rei dos Laranjas no Brasil. Na semana passada, o Supremo Tribunal Federal (STF) comeou a julgar uma ao direta de inconstitucionalidade justamente sobre doaes de empresas a partidos polticos e seus candidatos. O STF est inclinado a concluir que essas doaes ferem a Constituio brasileira. Mas, ateno, as aparncias enganam! Embora as duas notcias acima se refiram a doaes de campanha, elas tratam de questes totalmente distintas. O caso Assad  sobre doaes ilegais, dinheiro obtido clandestinamente e passado por baixo do pano aos polticos ou autoridades que aceitam propina para atender a interesses escusos. O julgamento do STF foca as doaes legais, aquelas amparadas por lei, feitas  luz do dia e devidamente registradas nos tribunais eleitorais. 
     Como essas duas questes se juntam? Elas se combinam da maneira mais ruinosa possvel, pois, por mais poderoso que seja, o ST  no pode proibir o que j  proibido, as doaes ilegais feitas criminosamente por agentes do submundo, dos quais Assad  um peixo, mas est longe de ser o nico. O que o STF pode  e, infelizmente, parece que vai fazer   proibir as doaes permitidas de empresas a candidatos e partidos. Ora, o efeito imediato da proibio das doaes legais ser o aumento exponencial das doaes ilegais. Estar em ao, portanto, mais uma vez, a lei dos efeitos indesejveis, aquela maldio que produz resultados desastrosos a partir de aes bem-intencionadas. 
     A reportagem de VEJA mostra que a prioridade mais bvia nesse campo em que a iniciativa privada se encontra com as eleies  a represso intensa s doaes ilegais, pois elas, sim, esto na origem dos grandes escndalos de corrupo.  o dinheiro de caixa dois que azeita as engrenagens mais perversas da corrupo. Est a o escndalo do mensalo como prova candente desse fato. As doaes legais podem e devem ser examinadas. H maneiras viveis e eficientes de aprimorar os mecanismos pelos quais as empresas apoiam financeiramente os candidatos e partidos com cujos objetivos e ideais se identificam. As empresas, como as demais foras econmicas de um pas, tm interesses legtimos que precisam ser contemplados no debate poltico. Isso tem de ser feito  luz do sol. Proibi-las de apoiar candidatos revela uma inaceitvel ignorncia sobre o papel das classes produtoras e um indisfarvel preconceito ideolgico contra a iniciativa privada. Ao banir uma relao que precisa ser absolutamente transparente, o STF vai incentivar que ela prospere na ilegalidade, longe dos olhos e ouvidos da nao  e, pior, abrir caminho para o financiamento pblico de campanhas, que tornar a poltica uma prtica ainda mais divorciada da realidade e surda aos anseios da sociedade brasileira. 


1#3 ENTREVISTA  DOM ODILO SCHERER   UM MOMENTO CRUCIAL DA IGREJA
O arcebispo de So Paulo diz que um papa acolhedor e popular como Francisco  decisivo para o catolicismo enfrentar as profundas transformaes sociais, econmicas e culturais.
ADRIANA DIAS LOPES

No prximo dia 24,  meia-noite, dom Odilo Schcrer realizar a missa de Natal na Catedral da S, em So Paulo. Defensor das tradies na Igreja, ele retomou o hbito da celebrao nesse horrio (abandonada havia vinte anos) ao assumir o comando da Arquidiocese de So Paulo, em 2007. Aos 64 anos, o cardeal gacho foi recentemente nomeado pelo papa Francisco para integrar a Congregao para a Educao Catlica. Com isso, Scherer passou a ser o cardeal com o maior nmero de atribuies no Vaticano, ao lado do francs Jean-Louis Pierre Tauran. Ele j ocupava sete cargos de relevncia no Vaticano. Atualmente, Scherer participa de decises referentes ao clero,  evangelizao e ao uso do dinheiro pela Santa S. 

Como o senhor v as reformas pastoral e da burocracia da Cria j iniciadas por Francisco? 
As reformas de Francisco, com a ajuda de oito cardeais escolhidos por ele, viro de fato nos prximos meses. A reforma da Cria Romana no  novidade. Os papas costumam reformar e adequar a Cria a seu estilo de trabalho. Joo Paulo II fez uma grande reforma em 1988. J a reforma pastoral da Igreja  muito mais ampla e complicada. No se faz por um decreto ou um documento. Trata-se de uma mudana que precisa ser feita em toda parte, em todas as instncias. Estamos diante de um momento crucial na histria da Igreja, em que nos defrontamos com profundas mudanas sociais, culturais, religiosas e econmicas. E, em meio a essas mudanas, nem sempre conseguimos realizar de modo adequado a nossa misso primordial, que  ir ao encontro das pessoas. Preocupamo-nos mais em administrar o que temos, em nos manter, em preservar o que j existe. Estamos indo para trs, perdendo o trem da histria.

Como deve ser a nova postura da Igreja? 
 o que chamamos de nova evangelizao.  ir ao encontro dos fiis, e no esperar que eles venham.  inserir-se nas diversas realidades sociais, e no se afastar delas. A Igreja, em todas as suas expresses  parquias, movimentos religiosos, grupos de orao , est defasada em relao  nossa misso. Diferentemente do que ocorria no passado, a Igreja no  a nica voz na sociedade. Agora h centenas de vozes. 

Quais so as principais qualidades do papa Francisco? 
O papa se comunica com extrema simplicidade e de forma muito pessoal. Fala ao corao das pessoas. Seu estilo de se apresentar  direto e descomplicado. Essa postura tem chamado ateno para o que  essencial  vida da Igreja. Lembro-me da sua primeira homilia na Praa de So Pedro, em 19 de maro. Havia dezenas de chefes de Estado presentes. E, diante deles, Francisco falou sem rodeios o seguinte: "Quem est constitudo em autoridade tem a obrigao de assumir o cuidado dos governados". Ele acolhe como um pai. 

Haveria espao para um pontificado como o de Francisco em outros tempos na Igreja? 
Para cada momento da histria, Deus manda o papa de que a Igreja precisa. Cada um com carisma e caracterstica prprios. Certamente, a Igreja agora precisava de um papa com as qualidades de Francisco. Mas a histria e a sociedade so como um pndulo. s vezes vai para a esquerda, s vezes para a direita. No me refiro aqui a questes ideolgicas. Digo apenas que os dois lados se caracterizam como os extremos da histria e, com o tempo, vo perdendo a intensidade. A grande fora do pndulo est no centro. Ali est concentrada a maior parte da harmonia e constncia. Os extremos so necessrios, claro. So importantes para trazer para o foco da Igreja alguns valores adormecidos, como a responsabilidade dos cristos diante de questes sociais, ambientais e polticas. 

O pontificado de Francisco tem se configurado em que posio do pndulo? 
O pndulo comeou a se mover. 

E o pontificado do papa emrito Bento XVI? 
No centro. Bento XVI, com sua enorme capacidade intelectual e clarividncia sobre a f e por tudo o que ele deixou falado e escrito, ser lembrado como uma referncia do centro da vida da Igreja ao qual sempre se vai retomar. 

A opinio pblica est sendo injusta hoje com a imagem do papa emrito Bento XVT? 
A avaliao que se tem feito do pontificado de Bento XVI no  sempre exata. Ela est muito aqum de seus mritos e capacidade. A histria vai mostrar as verdadeiras dimenses da figura do papa Bento XVI. O tempo sempre coloca as coisas no seu lugar. Na verdade, j havia preconceito em relao a ele antes mesmo de Ratzinger se tornar Bento XVI. Isso ocorreu, em grande parte, devido ao seu cargo  frente da Congregao para a Doutrina da F, ao longo de muitos anos. Ele tomou posies nem sempre simpticas  opinio pblica, como quando foi claramente contrrio  ordenao sacerdotal de mulheres, afirmando que isso no estava dentro da tradio da Igreja Catlica. H tambm a questo da sua formao cultural. Bento XVI no  latino.  alemo. Mas ele tem uma sensibilidade enorme, uma inteligncia brilhante e uma humildade impressionante, como mostrou com a renncia. Por isso, deixemos para a histria os julgamentos mais consistentes. 

O senhor  integrante do Instituto para as Obras de Religio (IOR), o banco do Vaticano, que tem sido alvo de denncias e crticas de m gesto financeira. O que est acontecendo de fato com a instituio? 
Uma questo deve ficar clara: perteno  comisso de cardeais que decide para onde o dinheiro excedente pode ser destinado  para obras sociais, pases mais pobres... As decises ordinrias no esto ao meu alcance, portanto. A administrao financeira fica a cargo de outros organismos internos. O IOR tem um papel importante, uma vez que h inmeras pessoas que recebem salrio trabalhando para a Santa S. sobretudo leigos. E esse dinheiro tem de ser administrado. O Estado do Vaticano, com reconhecimento internacional, precisa ter autonomia na gesto de seus recursos. 

Quais mudanas devero ocorrer no IOR? 
Onde h um grande volume de dinheiro, h sempre o risco de m gesto, de desvio de dinheiro.  importante que os organismos de vigilncia sejam efetivos, portanto. E o papa est agindo nessa linha. Instituiu um grupo de trabalho competente e com conhecimento do mundo financeiro para ter um diagnstico sobre a realidade do IOR. Acredito que o IOR dever ter menos atribuies. E tambm poder haver uma restrio maior a quem possa ter conta no IOR, sobretudo de pessoas externas. Mas, da minha parte, pelo que conheo da instituio, ela est em condies muito melhores do que se faz crer. O IOR pode ter eventualmente problemas de gesto. Mas esses problemas devero ser atribudos a algumas pessoas. No  instituio de forma geral. 

Como a Santa S se sustenta? 
Do aluguel de imveis e de algumas empresas de comrcio que existem dentro da Santa S, como correios e loja de roupas. Tambm dos museus do Vaticano e de aplicaes financeiras. A renda das parquias locais vem de patrimnios rentveis. H o dzimo, claro. Mas as doaes dos fiis no representam muito. Em algumas parquias elas so praticamente nulas. 

Em outubro passado, o cardeal Tarcsio Bertone deixou a chefia da Secretaria de Estado, com uma imagem muito negativa perante a Igreja e os fiis. O que o senhor tem a dizer a respeito? 
O cardeal Bertone  uma grande figura. Ele tem uma vasta experincia na Igreja e grande capacidade de relacionamento com as pessoas. Muita coisa foi a ele atribuda de maneira injustificada e indevida. Quando se falou que o papa Francisco o demitiu, por exemplo. Esse conceito  totalmente inexato, rude e preconceituoso. O cardeal Bertone j estava bem alm dos 75 anos de idade. Ele, inclusive, j havia apresentado a renncia ao cargo na Secretaria de Estado a Bento XVI em mais de uma ocasio. Bento XVI no aceitou porque a relao deles era muito estreita. Agora, com o novo papa, o pedido de renncia foi aceito, o que  natural. O papa Francisco no demitiu Bertone, no o castigou, como se disse. A questo  que o cardeal esteve na linha de frente durante um perodo em que as crises foram se avolumando na Igreja ao longo de vrios anos. O que aconteceu foi que deram a ele a conta a pagar, digamos assim. Posso dizer que tudo isso lhe causou muito sofrimento. 

Recentemente, o Vaticano distribuiu um questionrio a toda a Igreja com o objetivo de traar um perfil da famlia. Os resultados dessa consulta no poderiam se transformar em um problema insolvel para a Igreja? 
A Igreja no tem a inteno de ocultar a realidade. O problema no  aquilo que vir da consulta, mas a realidade que ali est. Ela j existe, portanto. Acredito que, a partir do resultado, ser mais simples buscarmos caminhos para uma tomada de conscincia renovada sobre o papel da famlia e a maneira de apoi-la.  Mas h um limite muito bem estabelecido para as mudanas na Igreja. Aquilo que no estiver em sintonia com os ensinamentos de Jesus no poder mudar. Seno, a Igreja deixa de ser Igreja. Tome-se como exemplo o casamento. Pelas Escrituras, "o homem no separa o que Deus uniu". A Igreja, portanto, no pode declarar o casamento solvel. Mas pode discernir as situaes em que no aconteceu um autntico casamento. Nesse caso, a Igreja reconhece a nulidade da unio. J em relao ao celibato  diferente. Ele nem sempre existiu. Isso pode mudar, portanto. Mas, na minha opinio, o celibato  um grande bem para a Igreja.  um testemunho da forma de viver como Jesus viveu. 

Logo aps a renncia de Bento XVI, os vaticanistas colocaram seu nome entre os trs mais fortes candidatos para assumir o novo pontificado. Depois, atriburam a perda da eleio ao fato de o senhor representar a ala conservadora da Igreja. Esses comentrios o incomodam? 
Acho tudo isso engraado. Na ocasio, no tomei conhecimento. Decidi no acompanhar a imprensa, para ficar tranquilo. Foram prognsticos feitos por quem no vota. Eu s posso dizer que se criou uma enorme fantasia, em todos os aspectos. Em outras palavras: os "entendidos de Vaticano" precisam aprender mais algumas coisas sobre a lgica interna da Igreja. No existe a lgica de partido e de ideologia. No houve partidos, ou propagandas. O que existiu foram as conversas entre os cardeais em particular ou em grupos, para que se conhecessem, trocassem ideias. O resto  fantasia. 

O crescimento do nmero de evanglicos pode ser atribudo ao distanciamento da Igreja Catlica de seus fiis? 
 mais fcil aderir a novas propostas quando a nossa evangelizao no  efetiva. No  s isso, porm. Os evanglicos usam uma metodologia para atrair o fiel diferente da nossa e mais sedutora em alguns aspectos. No apelamos para o expediente do milagre, por exemplo. Eles propem o milagre como algo programado, para o aqui e o agora. Para ns, Deus faz o milagre como um fato extraordinrio.  uma ao divina misteriosa que no depende da manipulao humana. H ainda a questo da facilidade em abrir templos. Qualquer pessoa no Brasil pode abrir um templo, diferentemente do que acontece em outros pases. Aqui no h restries legais. Em outros lugares, o poder pblico controla de alguma forma o surgimento de novas expresses religiosas. 

A liberdade de criar novos templos no  uma garantia de pluralidade religiosa? 
O Estado tem de garantir a liberdade de expresso religiosa, sem dvida alguma. Mas, para isso, deve zelar para que os templos se configurem como tais, e no como organizaes comerciais, com a finalidade de captar dinheiro dos fiis. 

Recentemente, artistas muito conhecidos defenderam a censura s biografias. O senhor se deixaria ser biografado livremente? 
A censura j  dada pela lei. Se algum em uma biografia escrever coisas injustas sobre mim, injuriosas ou difamatrias, a lei me defender. No h a necessidade de eu colocar censura. Mas ser que h algo de interessante a ser dito sobre mim?  


1#4 LYA LUFT  TODOS QUEREMOS PRIVILGIOS
     Acho que todo ser humano quer privilgios, talvez os bichos tambm: o ninho em lugar mais protegido, o macho mais colorido, a semente mais nutritiva. Ns, humanos, queremos o melhor lugar no cinema, no teatro, no estdio (se ainda houver quem leve a famlia aos nossos estdios selvagens), a melhor nota na escola ou na faculdade  ainda que a gente nem tenha estudado aquelas coisas. Todos mais ou menos nos arrogamos o direito de ser tratados como prncipes, sem fundamento. Mesmo com fundamento, isto , sendo uma verdadeira alteza, todos somos apenas humanos; a maior parte das vezes, ainda que ricos, no passamos, em alguns aspectos, de pobres-diabos que adoecem, morrem, so trados, frustram-se, todo o cortejo da humana condio.  
     O que me assombra nestes dias  a audaciosa, arrogante fome de privilgios por vezes surreais de condenados e presos (ou ainda no presos) do dito mensalo. No os conheo pessoalmente, nada tenho contra eles como indivduos, mas parece que foram estudados, acusados, defendidos e julgados em uma suprema corte de Justia formada por ministros honrados, vrios indicados pelos governos passado e atual. Portanto, se fossem condenaes polticas, seriam fruto da poltica desses dois governos: nem uma criana acreditaria nisso. 
     A questo  que, uma vez julgados, demoradamente, com os incrveis recursos que a nossa confusa Justia lhes proporciona, ainda se queixam, bradam, reclamam, querem privilgios, feito menines mimados. 
     Verdade que nossas prises so depsito de lixo humano, e seres humanos no so lixo. Parecem chiqueiros, mas atualmente quem cria sunos os coloca em cercados limpos, saudveis, isto , nas nossas prises no criaramos nossos porcos. Ningum faz nada quanto a isso; por alguma razo misteriosa, insondvel, nada se corrige. Homens, mulheres, jogados aos magotes em celas que no admitiriam razoavelmente nem seis, ou dez, em condies de higiene, limpeza, comida, tratamento vergonhosos. Uma grande porcentagem dos apenados nunca teve julgamento correto, alguns so inocentes e nem foram condenados, mas no saem de l, dessas escolas ou universidades de crime e perverso. 
     No seria de admirar que pessoas poderosas e influentes se recusassem a viver assim: mas nenhuma delas, que eu saiba, est em um chiqueiro humano. Esto na no abundncia que combina com quem cumpre uma pena. Porm manifestam indignao e revolta, alardeiam injustia, erguem o punho, querem acesso  internet, mandam recados, do opinies, entrevistas proibidas, acusam cus e terra, reivindicam privilgios que no lhes cabem. 
     Acho que quem luta pela sua ideologia poderia se portar como guerreiro, de maneira estoica, digna, at superior, adequando-se s consequncias de seus atos, em geral repetidos, prolongados, conscientes  que no sou eu quem julga, mas julgou a Justia brasileira deste governo e do anterior. A bravura se revela nas horas ms, no na boa vida e no luxo, no usando ternos ingleses e tomando vinhos caros, e sim na dureza. 
     Ningum mais citado nestes dias do que o lder Mandela, que "saiu de 27 anos de priso sem rancor, e sem dio". Mandela no quis privilgios, que eu saiba, mas aproveitou uma longa provao para crescer como ser humano: a adorao que lhe devotam conterrneos e as homenagens de lderes estrangeiros nos dias de seu velrio revelam isso. Mandela no quis ser um ser especial, no se julgava um prncipe, mas acreditou, lutou, ajudou sua gente, e era um deles. Nunca diria aos compatriotas sofridos que estava com eles refugiando-se em algum belo palacete. Estava com eles de verdade, residiu por bom tempo no bairro muito pobre do Soweto, e, mesmo quando em uma moradia bem melhor, no vivia em condies que pudessem romper o respeito que suas convices lhe traziam no mundo inteiro. 
     "Quem acredita em justia social no pode viver como prncipe", dizia um socialista convicto, que vivia de acordo. Isso eu respeito. Estamos vendo quanto somos um pas desigual. 


1#5 GUSTAVO IOSCHPE  TICA NA ESCOLA E NA VIDA
     O peso histrico de um evento  determinado pelo que lhe sucede. A priso dos mensaleiros tem tudo para ser um dos acontecimentos mais importantes da histria brasileira em dcadas, mas s os nossos prximos passos diro se ser um ponto de inflexo ou um ponto fora da curva. Se o mensalo for o primeiro de muitos casos em que banqueiros, congressistas e ex-ministros vo para a cadeia por seus delitos, as prximas geraes vero este ano como o ponto de virada. Se, pelo contrrio, essas prises forem  apenas a exceo que confirma a regra, um caso isolado em que as instituies funcionaram, ento os historiadores do futuro vero o mensalo como uma curiosidade.  difcil prever, mas confesso que no vejo muitos motivos para justificar o otimismo a curto prazo. Porque ter uma Justia gil e rigorosa contrariaria quatro pilares que me parecem basilares na formao do Brasil. 
     O primeiro  o corporativismo. Somos o pas dos interesses de grupo. No pensamos nem agimos como indivduos, mas como categorias. Uma das corporaes mais poderosas  a dos advogados.  muito numerosa (871.000 advogados no pas, mais procuradores, juzes...), organizada (a OAB  to influente que tirou do Estado o poder de decidir quem pode ou no exercer a profisso) e poderosa: dos 100 congressistas mais importantes do pas segundo o Diap, dezenove so advogados. Nosso sistema penal criou interminveis apelos, chicanas e excees. Quanto mais longo  um julgamento e quanto maior  o nmero de instncias, maiores so a remunerao de advogados e a necessidade de juzes e promotores. (" a preservao do direito de plena defesa dos rus!", diro nossos causdicos, cumprindo a regra de sempre apresentar a luta pelos benefcios corporativos como uma batalha pelo bem comum.) Precisaramos que os deputados-juristas mudassem um sistema que beneficia seus pares.  difcil. Ainda mais quando incrveis 38% dos nossos congressistas so rus no STF. 
     O segundo  o nosso pendor cristo-filossocialista de achar que todo criminoso  vtima de um sistema social injusto, e no um agente capaz de fazer as prprias escolhas. Algum que merece nossa compaixo, e no punio. A ditadura durou 21 anos, mas seu rescaldo est sendo ainda mais longo: nossos legisladores ficaram com tanta (e justificada) ojeriza s prises arbitrrias de um regime de exceo que criaram um sistema em que  improvvel condenar algum com bom advogado. (Esse  mais um dos casos em que a teoria da defesa dos despossudos se transforma em uma prtica que garante a sua danao, como em todos os populismos.) 
     O terceiro  a nossa secular desigualdade de renda.  mais difcil seguir o princpio bsico da democracia  a igualdade perante a lei  quando na sociedade h uma clivagem to aparente entre os que muitas vezes se comportam como se estivessem acima da lei e a grande maioria, abandonada pelo Estado e desprotegida. 
     O quarto e mais importante de todos: verdade seja dita, no somos um povo que prima pela tica. Basta ver os polticos que elegemos para nos representar e o que eles fazem. Para aqueles que acreditam que, mesmo em um sistema democrtico, nossos eleitos so piores do que seus eleitores no quesito tica, convm ver os resultados de uma pesquisa Ibope de 2006 (todos os dados aqui mencionados esto em twitter.com/gioschpe). Ela mostra que, apesar de a condenao  corrupo ser quase universal, 75% dos entrevistados confessam que, se eleitos para cargos pblicos, cometeriam ao menos um delito de uma lista contendo treze possibilidades (coisas como mudar de partido em troca de dinheiro, contratar empresas de familiares sem licitao, pagar despesas pessoais no autorizadas etc.). 69% dos entrevistados tambm admitem j ter transgredido leis para levar vantagem (dar caixinha ao guarda, sonegar impostos, inflar gastos mdicos para o seguro-sade etc.). Essa falta de tica se irmana  fraqueza do nosso aparato de Justia para dar origem a um ciclo vicioso em que h mais delinquncia porque a confiana na absolvio  grande, e o fato de tantos sermos delinquentes torna improvvel a criao de leis mais duras contra os delituosos. 
     Como romper esse ciclo? S vejo dois caminhos. Um  o de uma ditadura benevolente, que mude as leis na marra. Rejeito-o liminarmente. O segundo  formando cidados melhores, que elegero representantes melhores e mais probos, que faro melhores leis. 
     Essa formao pode vir de uma srie de fontes, desde a famlia at clubes de escoteiros, instituies religiosas etc. Mas o melhor candidato, disparado,  o sistema educacional. Porque  nele que crianas e jovens passam boa parte do seu tempo,  nele que so socializados,  nele que aprendem sobre atos virtuosos de grandes homens e mulheres (e tambm sobre os nefastos) e nele esto em um ambiente hierrquico e regrado, onde h figuras de autoridade capazes de punir desvios de conduta. 
     Se um marciano chegasse ao nosso pas e acompanhasse nossas discusses educacionais, acreditaria que somos o pas cujo sistema educacional oferece a melhor formao tica da galxia. O assunto  infinitamente discutido e priorizado, a ponto de uma pesquisa da Unesco que traa o perfil do professorado brasileiro mostrar que para 72% de nossos mestres a finalidade mais importante da educao deveria ser formar cidados conscientes"  s 9%, por contraste, falam em "proporcionar conhecimentos bsicos". Sabemos que essa misso no est sendo cumprida. Principalmente porque um sistema educacional no tem esse poder  a pregao de um professor no vai reverter os efeitos de uma sociedade permissiva e de um Judicirio ineficaz. Mas tambm porque a prtica de nossas escolas  o oposto de sua pregao. 
     A escola brasileira  antitica. Em geral, h desprezo pelos alunos e seus esforos. Os professores faltam ao trabalho uma enormidade. Fazem greves de meses, com motivaes muitas vezes polticas, prejudicando gravemente o andamento dos estudos. Mesmo quando h aula, o tempo  desperdiado. Uma pesquisa do ano passado do Banco Mundial mostrou que s 64% do tempo previsto de aula  gasto com tarefas de ensino  um tero dele  perdido em outras atividades ou sem atividade alguma. Mesmo no tempo de aula, o despreparo docente  aparente. As aulas so chatrrimas; boa parte do tempo  devotada a copiar matria do quadro-negro  o que pode ser um timo exerccio de caligrafia e uma maneira de um professor despreparado preencher os cinquenta minutos de aula, mas no tem nada a ver com educao. Finalmente, quando todo esse processo  avaliado, as fraudes so constantes: no me recordo de uma nica prova em toda a minha vida de estudante em que no houvesse cola. Em alguns casos, gritante. A grande maioria dos professores faz que no v, no mximo d uma indireta. Que diferena do ambiente nas universidades americanas que cursei, em que a primeira pgina de cada prova continha uma declarao de aderncia ao cdigo de tica da universidade, cuja assinatura era obrigatria para todos os alunos, e que especificava a punio para os coladores: expulso. Nunca vi sequer um aluno colando. H suporte emprico para essa observao casual: um estudo de dois acadmicos portugueses em 21 pases mostrou o aluno brasileiro em quinto lugar no ranking da cola em universidades. 
     Aqui h uma discusso conceitual importante. Muita gente ver esses dados e dir que a escola  apenas um reflexo da sociedade. Se a sociedade brasileira  desonesta,  normal que a escola tambm o seja. O problema  que, para avanarmos, precisaremos que as instituies sejam melhores do que a mdia nacional. Enquanto nossa escola for um retrato do pas, o pas no mudar. Temos de exigir das escolas um desempenho tico superior. No  fcil. Todas as foras e incentivos existentes conduzem  inrcia. Mas so indispensveis. A melhora educacional precisa vir antes da melhora social. Foi assim nos pases de sucesso. Espero que seja assim aqui tambm. So os meus votos para 2014. 


1#6 LEITOR
NELSON MANDELA
O lder sul-africano Nelson "Madiba" Mandela morreu com a convico de que sua luta contra o verdadeiro apartheid no foi apenas pela unio entre brancos e negros, e sim pela transformao do dio em amor ("Mandela  O heri incomum", 11 de dezembro). Seus inimigos sempre foram seus "admiradores secretos", que passaram dcadas incapacitados de compreender por que tantos o amaram em vida e ainda o amam depois de sua morte. 
ANTONIO AUGUSTO JOO 
So Paulo, SP 

Como professor de histria, sempre peo aos meus alunos uma pesquisa a respeito de Mandela, pois entendo que ele demonstrou que, mesmo diante das adversidades, do aparente tropeo, da perseguio,  possvel ser honesto, sereno e perseverante na luta por um ideal. 
WILTON ANTONIO DA SILVA 
Nova Andradina, MS 

O mundo precisa de lderes do quilate de Nelson Mandela. Infelizmente, seres assim so raros, e os poucos que surgem deixam sua marca na histria da humanidade. 
MARCOS GAGLIASSO 
Santos Dumont, MG  

Precisamos torcer para que as ideias e os exemplos deixados por Nelson Mandela se tornem mais conhecidos em todo o mundo, especialmente pelas novas geraes. Sempre o vi como a prova definitiva de quanto  estpida a teoria de que a cor da pele define o valor do ser humano. 
WILSON DE SOUZA LIMA 
Goinia, GO 

Fui criado na frica do Sul e vivenciei esse sistema de segregao. O apartheid no pas  institucionalizado nos anos 50 pelo ento presidente, Daniel Malan, pastor da Dutch Reformed Church (Igreja Reformista Holandesa)  no foi s poltico, mas tambm religioso. A teologia dessa igreja dos nacionalistas brancos africneres foi o alicerce do apartheid, que buscava na Bblia a justificativa para a inferioridade dos negros, e sempre apoiou esse sistema racial degradante. 
MANUEL RODRIGUES DOS SANTOS 
Curitiba, PR 

Brasileira, carioca, morando na frica do Sul h 21 anos, sinto-me gratificada por ter testemunhado momentos importantes deste pas, que passei a considerar como minha segunda nao. Visitei a frica do Sul pela primeira vez em fevereiro de 1990, quando Nelson Mandela tinha acabado de ser libertado da priso, depois de 27 anos. Em 1992, mudei-me para Johannesburgo com meu marido e dois filhos adolescentes para um perodo de aproximadamente dois anos. Apaixonamo-nos pelo pas e fomos ficando. Em 1994, vimos a eleio de Mandela, esse grande lder pacifista que foi  televiso tentar impedir a debandada macia da populao branca, demonstrando humildade e nenhum ressentimento. Foi comovente assistir quela transio pacfica num continente marcado por tantas guerras raciais. O mundo merecia ter mais Mandelas. 
ANA MARIA RIO BRANCO 
Johannesburgo, frica do Sul 

Mandela se tornou respeitvel para alm da retrica e foi capaz de conquistar uma legio infinita e devotada de admiradores. Que descanse em paz. Seu exemplo vive. 
GUSTAVO HENRIQUE DE BRITO A. FREIRE 
Recife, PE 

Mandela lutou contra a discriminao usando palavras e dilogo, ao contrrio de outras lideranas do sculo passado  algumas estampadas em camisetas e psteres  que incitaram dio, revanchismo, perseguio e morte. 
MARCO AURLIO QUINTANILHA 
Manaus, AM  

Mandela foi a 'prova viva' de que a conscincia humana no tem cor. 
ROMAR RUI CERUTTI 
Realeza, PR 

O IMPROVVEL PRESIDENTE DO BRASIL 
Li a reportagem "O acorde dissonante" (11 de dezembro), sobre o livro O Improvvel Presidente do Brasil, do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Sabem a diferena entre um estadista e um populista? Um populista tem viso de curto prazo, s pensa nas prximas eleies. O estadista, ao contrrio, faz o que deve ser feito, sem se deixar levar pela presso de maiorias poderosas ou minorias barulhentas. Assim fez Fernando Henrique Cardoso com a inflao, um mal que de to antigo j estvamos considerando normal. Sou estudante de administrao e de uma gerao que no conviveu com a inflao. Vejo como  complexo dirigir uma organizao em um ambiente econmico razoavelmente previsvel e tento imaginar como era em um ambiente econmico completamente imprevisvel. Por mais que Lula tente esconder a histria, nunca conseguir apag-la. 
JOO GABRIEL CARNEIRO COSTA LIMA 
Fortaleza, CE 

Na reportagem sobre o livro O Improvvel Presidente do Brasil, lanado recentemente, l-se a frase: "Foi Fernando Henrique Cardoso o acorde dissonante na pera do absurdo composta pelos que o antecederam e retomada por seus sucessores"'. Eu gosto de frases de efeito como essa, que expressa sinteticamente a poltica brasileira desde o descobrimento. Quem leu os bem documentados livros de Eduardo Bueno, Laurentino Gomes, Lira Neto e viveu e trabalhou nos tempos de Jnio, Jango, ditadura militar, Sarney e Collor sabe bem do que estou falando. 
AFFONSO MARIA LIMA MOREL 
So Paulo, SP 

EDUCAO 
Esclarecedora a entrevista com o deputado federal Raul Henry (PMDB-PE), que tem um timo projeto para a educao ('"O retrocesso  inaceitvel'", 11 de dezembro). Eu, que me considerava uma pessoa bem informada, no entendia tanto da profundidade da questo educacional do Brasil, em que a educao, definitivamente, no  encarada pela grande maioria das pessoas como algo libertador. Que a populao e principalmente os governos compreendam que, se grande parte dos brasileiros j est alimentada fisicamente,  urgente que tratemos da carncia educacional que a est, em nome do progresso das pessoas, das instituies e do pas. Muito obrigado pelo valioso presente que recebi. 
HLIO SOUZA OLIVEIRA 
Tiet, SP 

Fiquei feliz e at aliviada em saber que existem polticos como o deputado Raul Henry, que est realmente preocupado com a educao no Brasil. Nossos jovens precisam de educao de pas desenvolvido. 
PATRCIA EVELYNE 
Salvador, BA 

Deputado Raul Henry, parabns pela ideia e pela iniciativa. No esmorea. Fora para quebrar o rano arcasta de muitos que, dominando a educao brasileira e desejando manter seu status quo, temem qualquer mudana, por mais benfica que seja. 
ANTNIO BARROS ARANTES 
Goinia, CO 

O Brasil precisa de mentes pensantes e prsperas como Raul Henry. A nota de 8,5 que os pais atribuem ao ensino  o retrato da falta de autocrtica para enxergar o atraso educacional que vivemos. 
RAPHAEL AYRES 
Ituporanga, SC 

Se pensamos em um estudante que vai concluir o ciclo da educao bsica no prximo ano  nove anos de ensino fundamental mais trs anos de ensino mdio , o resultado  de fazer chorar! Somados, representam  para a maior parte dos estudantes  doze anos de anestesia intelectual. S a educao qualifica de verdade o cidado. 
BETNIA FERREIRA 
Professora de portugus e pedagoga 
Recife, PE 

Para todos ns que temos conscincia da corrida mundial pelo conhecimento, da posio de lanterninha do Brasil nos testes do Pisa (que avalia o Brasil em relao aos outros pases) e da vergonha nacional que  a educao de nossas crianas, as proposies do deputado Raul Henry merecem todo o nosso apoio. So um osis num deserto de proposies nesse sentido em nosso Congresso. Somos a quinta economia do mundo, mas um dos ltimos pases em educao, o que promete um futuro nada promissor para nossos filhos. Se somos os piores do mundo, precisamos mudar substancialmente e rpido. Temos de enfrentar esse leo, no h tempo a perder. O que est sendo feito em educao em nosso pas  da pior qualidade, e, aparentemente, os ministros que passam pela educao ou no tm apoio para fazer as mudanas necessrias ou lhes falta a devida dose de atitude de estadista. Precisamos de heris na educao, e eis que surge o deputado Raul Henry. Parabns, deputado, estamos com o senhor! Precisamos salvar nossas crianas e tirar de cena administradores pblicos fora de seu tempo. Sua proposio  muito amena: tirar quem deixar o Ideb baixar (mesmo assim, com possibilidade de recurso). Eu, se pudesse, seria mais duro: tiraria da vida pblica quem no atingisse as metas do Ideb. Lder  aquele que bate metas, com seu time e fazendo de forma tica. A vida pblica  lugar para lderes estadistas. 
VICENTE FALCONI 
Professor emrito da UFMG 
Belo Horizonte, MG 

CLUDIO DE MOURA CASTRO 
A cada semana, surpreendo-me com as colunas e reportagens que VEJA publica. Trata-se de um verdadeiro estmulo e fomento da capacidade e viso crtica que todo brasileiro deveria  e h muito necessita , imprescindivelmente, ter e exercitar. Na edio 2351, particularmente, chamou minha ateno o artigo "O caso dos mecnicos que sabiam ler" (11 de dezembro), de Cludio de Moura Castro. Ser impulsionado pela ambio  elementar para que uma sociedade avance. O mago de qualquer governo deveria ser pautado nesses moldes. Lamentavelmente, porm, a sociedade brasileira est longe de se beneficiar de uma administrao pblica de qualidade que possa oferecer tudo isso (como se impossvel fosse). Estamos eivados de um populismo cego, cujas premissas de governo, em geral, no ultrapassam a preocupao em oferecer panis et circenses ao povo, que, calado, ter espao de sobra para assistir a esse espetculo de gesto de algum assento num desses estdios novos por a. Agradeo  revista VEJA pelo contedo semanal que representa a voz de cada brasileiro. 
FERNANDO GONALVES 
Sorocaba, SP 

O artigo "O caso dos mecnicos que sabiam ler"  maravilhoso, atual e mostra a nossos dirigentes que a histria  um caminho para solues. Mais ateno, porm, com a educao e a valorizao do professor. 
IEDA MOTTA PRATS 
Por e-mail 

MALSON DA NBREGA 
Li o artigo "A porta de sada do Bolsa Famlia" (11 de dezembro), do economista Malson da Nbrega. At ento, erroneamente, eu considerava assistncialista o polmico Bolsa Famlia, mas, levando em conta que sua ideia fundamental  forar a populao a manter os filhos na escola, buscando alternativas melhores para o futuro, o programa , na sua origem, econmico. O foco no  o desemprego, mas formar cidados melhores. O erro consiste na administrao do programa, fiscalizao e lisura do governo. Erra o governo quando no cobra das escolas pblicas a frequncia escolar; erra o governo quando mantm o recebimento por baixo dos panos sem que o recebedor cumpra as exigncias; erra o governo quando engrossa as fileiras para distribuir o benefcio apenas com fins eleitoreiros; erra o governo quando no melhora o nvel da educao pblica, anulando dessa forma os efeitos do programa sobre as crianas abrangidas.  uma pena que esse projeto, iniciado no governo FHC, no tenha conseguido seus verdadeiros propsitos. 
GIOVANNA MARIA O. BRITO MIBIELLLI 
Joo Pessoa, PB

No concordo que o Bolsa Famlia no seja assistencialista. Percebe-se que o programa tem gerado a pior pobreza, a da dependncia, em detrimento da emancipao e da autonomia. Na teoria, ele  timo: na prtica, as mulheres que deveriam estar em casa cuidando da famlia esto no mercado informal com o objetivo da manuteno de um mnimo dos mnimos (38 reais por criana e mais algumas variveis). O desafio  a educao de qualidade. Para tal, o Bolsa Famlia no tem contribudo. 
MARIA DE LOURDES CORRA MORAES 
Uberaba, MG 

Como sempre no Brasil, a teoria  muito boa, mas a prtica  bem diferente. Programas e leis podem ser maravilhosos, mas sem seriedade e fiscalizao servem apenas a interesses polticos e demaggicos. A populao pobre de minha regio est acomodada e seus filhos continuam sem perspectiva para o futuro. 
MRCIA RUCKSTUHL 
Vera Cruz, Ilha de Itaparica, BA 

Malson da Nbrega destaca que a porta de sada do Bolsa Famlia  a educao. Concordo. Porm, j se passaram dez anos... Jovens que hoje esto em idade de trabalhar e que receberam os benefcios l no comeo no esto qualificados. O governo tapa o sol com a peneira ao criar cotas em universidades, derrubando o nvel de ensino delas. Mais dez anos se passaro, tudo ser igual e estaremos discutindo os mesmos problemas. 
CARLO RODRIGUES 
Mogi das Cruzes, SP 

O economista Malson da Nbrega foi esclarecedor no artigo. O programa Bolsa Famlia reduziu a desigualdade no Brasil. Aos pobres e necessitados, aos famintos e excludos no interessa saber qual governo tenha implantado o sistema, pois a fome, a doena e a pobreza no tm cor, e sim necessidades. O programa no deve ser extinto. Se o Bolsa Famlia, adaptado ou expandido, ainda reduz a desigualdade e favorece o crescimento econmico das famlias a partir tambm do aprendizado escolar, a um custo pequeno, no pode ser abandonado enquanto seus resultados permanecerem positivos. 
CELITO M. BRUGNARA 
Porto Alegre, RS 

PETROBRAS 
Na esclarecedora reportagem "Refm da poltica" (11 de dezembro), VEJA demonstra claramente como est sucateada a nossa Petrobras, sob os desmandos do governo petista. Quando a Petrobras ainda era um modelo de gesto e lucratividade, resolvi aplicar parte do meu FGTS, na esperana de que, ao me aposentar, tivesse uma reserva para meu sustento, uma vez que somente com a aposentadoria recebida do INSS no teria condies de sobreviver. Com essa absurda desvalorizao das aes da Petrobras, meus sonhos esvaram-se. E, como eu, milhares de brasileiros esto nessa situao. No caberia ao Congresso Nacional instaurar uma Comisso Parlamentar de Inqurito para cobrar os responsveis por essa gesto catastrfica? 
ADILSON A. FRANCESCHINI
Rio Claro, SP 

Parece ironia do destino assistir ao PT, que dizia ser o defensor das empresas estatais, destruir duas das maiores empresas controladas pelo governo brasileiro  a Petrobras e a Eletrobras. Cabe destacar o enorme conflito de interesses ao vermos que o presidente do conselho de administrao da Petrobras  que deveria zelar pela companhia   o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que tem, em muitas ocasies, objetivos opostos aos da Petrobras. 
VICTOR LUS DE ALMEIDA VOHRYZEK 
Rio de Janeiro, RJ 

CARTA AO LEITOR 
A Carta ao Leitor "Uma mancha no petrleo'" (11 de dezembro)  digna de registro e deve permanecer em nossa mente por longo perodo. Parabenizo o editor da revista pela propriedade com que menciona ali as verdades, desmascarando, como tem feito VEJA por anos, o sistema pernicioso a que estamos submetidos por este governo, eventualmente ocupando o Palcio da Alvorada, que de nacionalista no tem absolutamente nada. Ele est acabando com tudo e a pobreza aumenta a olhos vistos. Levar a maior empresa nacional ao estgio de insolvncia, com a inteno de mascarar a sua total incompetncia e seu amadorismo na gesto das graves questes econmicas,  brincar com a boa-f de milhes de brasileiros. Precisamos acordar e dar o troco nas prximas eleies, para que nossa ptria no se transforme em mais uma repblica bolivariana. 
ULISSES JOS DE SOUZA 
Vitria, ES 

NEUROCINCIA NAS PESQUISAS ELEITORAIS 
Minha cabea est feita desde 6 de maio de 1976, quando nasci, e no ser preciso a neurocincia para mudar meu voto ("O crebro vai  urna", 11 de dezembro). Em pleno uso das minhas faculdades mentais, tenho certeza de que no votarei em Dilma Rousseff para presidente e percebo que a oposio pode reagir mais. Temo que em 2014, ano de eleio presidencial  e de Copa do Mundo , os brasileiros s pensem nos jogos. Assim, a vitoriosa ser Dilma Rousseff, e a oposio nem passar da "primeira fase" na eleio. 
WALDOMIRO TARCSIO PADILHA DE OLIVEIRA 
Curitiba, PR 

J.R. GUZZO 
Excelente o artigo "Conversa vencida" (11 de dezembro), de J.R. Guzzo. J se falou demais da priso dos bandidos mensaleiros. Agora, eles esto presos, como tantos outros, na penitenciria da Papuda. Excelente o desmascaramento deles como grandes homens", coisa que nunca foram. Alis, a imagem de Jos Dirceu e Jos Genoino, ao se apresentarem com o brao levantado e o punho cerrado,  idntica  de outro criminoso, o italiano Silvio Berlusconi. Coincidncia? No. Sinal de que so bandidos mesmo. E merecem a priso no como "grandes homens" ou "grandes polticos", e sim como "grandes malfeitores" de seus respectivos pases. Parabns ao Brasil pelas prises! 
LEONICE BARROS DOS SANTOS 
Belo Horizonte, MG 

Para mim, conversa vencida  fim de conversa. No meu hbito dominical de iniciar a leitura de VEJA de trs para a frente, deparei com essa prola de J.R. Guzzo, que tornou, o meu fim de semana mais alegre e leve, pois retrata e encerra para mim o ciclo dessa insistncia petista de justificar o ato falho na tentativa de cubanizao do Brasil. 
AMARILIO DO NASCIMENTO 
Curitiba, PR 

J no aguento mais a ateno que deram a esses criminosos. Chega! Ponto-final. 
CLAUDIA FRANCA 
Belo Horizonte, MG 

ELEIES
Sobre a informao publicada na nota "O movimento Geraldilma" (Holofote, 11 de dezembro) de que apoiarei as candidaturas de Geraldo Alckmin e Dilma Rousseff, ressalto que tenho compromisso com o meu partido, o PMDB, que tem Paulo Skaf como candidato ao governo do estado. 
MARCELO BARBIERI 
Prefeito 
Araraquara, SP 

REVELAES DE ROMEU TUMA JR. 
Gravssimas as denncias do livro Assassinato de Reputaes  Um Crime de Estado, feitas pelo ex-secretrio nacional de Justia Romeu Tuma Jnior ("O livro-bomba", 11 de dezembro). Com a palavra, o Congresso Nacional, o Ministrio Pblico, a Polcia Federal e o Supremo Tribunal Federal. 
JORGE AMORIM JR. 
Recife, PE 

As revelaes de Tuma Jnior confirmam que o PT e Lula tentam destruir os adversrios e as instituies para assumir o poder totalitrio no Brasil. 
GILBERTO DIB 
So Paulo, SP 

Espero que o que diz Romeu Tuma Jnior arrebente essa rede que est transformando o Brasil num formigueiro prejudicial aos interesses da ptria. 
RUY MARUM 
So Paulo, SP 

Ningum foi "grampeado" na Operao Satiagraha. Todas as interceptaes telefnicas de envolvidos em crimes financeiros foram autorizadas pela Justia e fiscalizadas pela Procuradoria da Repblica, como est nos autos, e entre eles no constava nenhum ministro do STF. 
PROTOGENES QUEIROZ 
Deputado federal (PCdoB-SP) 
Braslia, DF 

COPA DE 2014
Gostei do artigo "Chega de lamentaes estreis" (Especial Copa 2014, 11 de dezembro), do ingls John Carlin. A Fifa deveria fazer todas as Copas no Brasil, com a nossa seleo enfrentando, depois de cada final, a seleo vencedora para confirmar se o ttulo foi merecido ou no. 
RAIMUNDO EZEQUIEL RODRIGUES DE SOUZA 
Belm, PA 

Belssima abordagem de John Carlin sobre o tratamento que o brasileiro tem dado  Copa do Mundo. 
DENISE DE SOUZA 
So Paulo, SP 

Sejamos felizes com a Copa do Mundo! E que venha o circo... Amm. 
RAQUEL CRISTINA MAIA 
Rio de Janeiro, RJ 

Sim, vamos nos divertir muito... e depois chorar. Os argumentos do senhor Carlin, sem dvida, transmitem otimismo, mas para nos divertirmos no seria necessrio torrar bilhes de dlares em elefantes brancos em detrimento de escolas e hospitais necessrios a uma populao carente de solues honestas e pragmticas. 
CELSO SILINGARDI 
Puerto Ordaz, Venezuela 

AUTOMVEIS ELTRICOS 
Alm dos automveis, os nibus eltricos esto tendo um desenvolvimento fantstico ("A reinveno dos eltricos", 11 de dezembro). No Brasil h nibus eltricos em teste, contribuindo para a alterao da matriz energtica do transporte pblico. Em breve teremos uma frota adequada, com menor emisso de gases prejudiciais, composta de veculos hbridos movidos a energia eltrica e fssil (35%), eltricos (50%) e a diesel de baixo teor de enxofre (15%). 
ROBERTO BARTOLOMEU BERKES 
Diretor do Instituto de Engenharia de So Paulo 
Coordenador do Grupo de Trabalho de Trlebus da Amrica Latina pela Unio Internacional de Transporte Pblico (UITP) 
So Paulo, SP 

PARA SE CORRESPONDER COM A REDAO DE VEJA: as cartas para VEJA devem trazer a assinatura, o endereo, o nmero da cdula de identidade e o telefone do autor. Enviar para: Diretor de Redao, VEJA - Caixa Postal 11079 - CEP 05422-970 - So Paulo - SP; Fax: (11) 3037-5638; e-mail: veja@abril.com.br. Por motivos de espao ou clareza, as cartas podero ser publicadas resumidamente. S podero ser publicadas na edio imediatamente seguinte as cartas que chegarem  redao at a quarta-feira de cada semana.


1#7 BLOGOSFERA
EDITADO POR KTIA PERIN kperin@abril.com.br

RADAR
LAURO JARDIM
LULA OU LULU 
No enterro de Filomena Matarazzo Suplicy, 105 anos, me de Eduardo Suplicy, uma coroa de flores chamou a ateno dos presentes. Nela, a inscrio "Lulu e Marisa". Quem seria o tal Lulu? Verificou-se que a floricultura onde Lula encomendou a coroa errou. www.veja.com/radar  

COLUNA
LEONEL KAZ 
EDUCAO  
Vamos investir no professor. Centrar nossa ateno na qualidade desse profissional. Ele sente no pulso como poder ajudar no desenvolvimento de cada aluno. Um professor  o gerente de um grupo que envolve trinta, muitas vezes cinquenta seres em formao, sedentos de procurar mais vida na prpria vida. www.veja.com/leonelkaz 

ESPELHO MEU 
LCIA MANDEL 
MELANOMA  
J existem alguns aplicativos disponveis para a deteco de pintas com melanoma que prometem ser eficientes, mas a verdade  que os resultados anunciados so questionveis. Trs de quatro aplicativos testados diagnosticaram mais de 30% de pintas de melanoma como pintas benignas. Um perigo. No sabemos quanto tempo levar para que a tecnologia produza um aplicativo de deteco confivel. Por enquanto, o melhor caminho da preveno continua sendo a consulta mdica. www.veja.com/espelhomeu  

SOBRE IMAGENS
ACERVO DE LUXO
A revista francesa Paris Match foi fundada em 1949 e sempre investiu em grandes reportagens fotogrficas, alm de cobrir personalidades da poltica, da moda, da arte e da intelectualidade francesa. Um dos seus mais brilhantes fotgrafos foi Willy Rizzo (1928-2013). Desde 2012, o acervo da Paris March  distribudo pela agncia Getty Images. So mais de 200 milhes de imagens entre negativos, slides e cpias impressas. www.veja.com/sobreimagens 

QUANTO DRAMA!
FIM DE ANO
Um Graciliano Ramos bem-humorado e diferente daquele escritor com fama de sisudo vai surgir em Alexandre e Outros Heris, especial de fim de ano que a Globo exibe no dia 18. Adaptao dos contos O Olho Torto de Alexandre e A Morte de Alexandre, o programa foi gravado durante duas semanas em locaes ao redor da cidade de Po de Acar, no serto de Alagoas, e  beira do Rio So Francisco.  a terra natal do escritor alagoano, morto h sessenta anos. www.veja.com/quantodrama 

NOVA TEMPORADA
O NATAL DE DOCTOR WHO
O episdio natalino da serie Doctor Who, que vai ao ar no Brasil pela BBC HD, ter exibio simultnea com a Inglaterra no dia 25, s 22 horas. Com o ttulo de The time of the doctor", o episdio marca a despedida do ator Matt Smith e a entrada de Peter Capaldi, que vai estrelar a oitava temporada da srie. www.veja.com/temporada

 Esta pagina  editada a parti dos textos publicados por blogueiros e colunistas de VEJA.com


1#8 EINSTEIN SADE  PRTONS: FUTURO DA RADIOTERAPIA?
A utilizao do feixe de prtons tem aspectos positivos, mas o custo-benefcio ainda no  compensador.

     A radioterapia tornou-se essencial para o tratamento de inmeras patologias. Pode ser indicada para tratar desde uma simples cicatriz queloidiana at tumores malignos. Dados do Instituto Nacional do Cncer mostram que cerca de 60% dos pacientes oncolgicos no Brasil fazem uso de radioterapia isoladamente ou em combinao com cirurgia e/ou quimioterapia. Mesmo quando no traz a cura, a radiao pode contribuir para diminuir o tamanho do tumor e controlar a doena, alm de reduzir sintomas como dor e hemorragia. 
     A evoluo tem sido constante. Hoje, por exemplo, a radioterapia guiada por imagem j  a opo preferencial para o tratamento da maioria dos tipos de tumores. E segue avanando, com equipamentos e recursos que permitem a localizao cada vez mais exata dos tumores, radiaes mais concentradas para minimizar riscos de danos s clulas saudveis e rapidez no procedimento para diminuir o tempo de exposio do paciente  radiao. 
     Nas tcnicas mais usuais, o feixe de radiao utiliza ftons, os conhecidos raios X. Um novo salto evolutivo poder vir com o uso de prtons para a radioterapia. Estudos demonstram que a radioterapia utilizando feixe de prtons pode proporcionar uma melhor distribuio da dose, mesmo quando comparada a tcnicas mais modernas de radioterapia com ftons. Isso leva a um melhor efeito teraputico, pois protege melhor o tecido normal e permite que se aplique maior dose ao tecido tumoral. 
     A melhor indicao da radioterapia com feixe de prtons tem sido para o tratamento de tumores da infncia. Por exemplo, quando h a necessidade de irradiar toda a coluna, a proteo de rgos vitais prximos da rea irradiada, como corao e pulmes,  total. Ou seja, evita a leso desses rgos, diminuindo o risco de alteraes funcionais e a gerao de tumores secundrios depois da irradiao. 
     Mesmo assim, a radioterapia com feixe de prtons ainda tem sido pouco utilizada. Nos Estados Unidos, Europa e sia  empregada em pouqussimos centros e, na Amrica Latina, no  adotada em nenhum pas. O principal obstculo  o custo dos equipamentos, mais de 20 vezes superior ao das mais modernas tecnologias que utilizam feixe de ftons. Alm disso, os equipamentos com feixe de prtons ainda apresentam deficincias para localizar a rea exata a ser irradiada e nesse quesito as tcnicas de feixe de ftons esto bem mais desenvolvidas. So entraves que devero ser superados no futuro, mas que, por enquanto, reduzem os pontos favorveis da nova tcnica e tornam o custo-benefcio no compensador. 

Saiba mais sobre este e outros assuntos no sito www.einstein.br 
Sugira o tema para as prximas edies: einstein.saude@einstein.br
Sua sade  o centro de tudo
Responsvel Tcnico:
Dr. Miguel Cendorogio Neto - CRM: 48949


